03/02/2010

Artigo de opinião de Marco António Costa, publicado a 3 de Fevereiro, no Diário Económico

O PSD precisa urgentemente de resolver a sua liderança para poder ter uma intervenção capaz no processo político nacional. Esta premência resulta particularmente clara dos episódios que marcam a negociação do Orçamento Geral do Estado para 2010. A partir de uma atitude sensata e responsável, que o impedem de chumbar o OGE, o PSD pode sair deste processo com imagem política frouxa e ainda por cima ligada ao "despesismo e descontrolo " das contas públicas regionais.

Sabendo bem da gravidade da situação interna e tal como o Governo também sob a vigilância de agências e organismos que superintendem na economia internacional, a capacidade de manobra do maior partido da oposição, é muito limitada. Sem uma política global alternativa, o actual PSD limita-se a propostas de ordem geral e é "obrigado" a deixar passar um orçamento sofrível, por dever patriótico de pugnar pela estabilidade, por responsabilidade perante os portugueses, mas também muito por ausência de uma liderança capaz de traçar um rumo firme e claro a médio prazo.

Neste contexto, percebe-se que o Governo e o PS tenham sido capazes de "embrulhar" o PSD na discussão das Finanças Regionais, colando o partido especialmente à situação da Madeira e dando dele aos portugueses uma imagem associada a um conceito de "despesismo" que, independentemente de ser ou não real, grassa entre os portugueses.

O Governo consegue ainda colocar em evidência a situação interna do PSD ao sugerir um acordo sobre as contas públicas para o próximo triénio, jogando claramente como o facto de no PSD não haver no momento um líder com legitimidade ou com capacidade para responder ao desafio. Além de saber que está a falar para um partido que não tem resposta, o Executivo consegue manter uma atitude de chantagem sobre os portugueses sem que da parte do PSD haja uma denúncia e uma resposta suficientemente firmes.

A explicação para esta "paz podre" que rodeia a discussão do OGE, que só a esquerda parece denunciar, parece-me evidente. Incapaz de marcar a agenda política, sem soluções verdadeiramente alternativas e prisioneiro entre as tácticas socialistas e a situação do País no contexto internacional, o PSD é hoje um partido adiado que sobrevive numa urgência clara: a de eleger um líder para liderar.

14/09/2009

O líder da distrital do PSD/Porto concorda com o diagnóstico traçado por Marcelo Rebelo de Sousa, no domingo à noite, na RTP. O comentador político entende que o partido está a chegar «a um ponto de não retorno», em que pode ficar apenas numa posição em que pretende retirar a maioria ao PS Marco António Costa vai ainda mais longe e considera que, se dentro de dois meses, tudo continuar na mesma, com os social-democratas em queda nas sondagens, Manuela Ferreira Leite deve ceder o lugar a alguém que consiga ter força para travar a batalha com José Sócrates.

«Temos o mês de Fevereiro e de Março para tentarmos inverter esta situação. Se concluirmos daqui a algum tempo que não é possível, acho que vai caber a quem tem a mais alta responsabilidade no partido num acto de desprendimento procurar fazer-se substituir por quem possa enfrentar em melhores condições o engenheiro José Sócrates», defende Marco António Costa.

Este social-democrata espera ainda que Manuela Ferreira Leite consiga em breve inverter os resultados das últimas sondagens e sublinha que a estratégia seguida até aqui tem de ser rapidamente alterada.

«A evidência demonstra que algo vai mal relativamente à estratégia que estava a ser seguida. Sei contudo que há uma vontade e uma determinação na direcção nacional do partido em inverter esta estratégia», realça.

O líder do PSD/Porto sublinha ainda que «na última semana houve uma reunião com as distritais do partido para que com toda a força a líder do partido venha a sair da sede para começar a andar pelo país. Esperemos que esta decisão ainda venha a repor alguma da imagem que precisa ter».

in TSF - 9 de Fevereiro de 2009
04/09/2009



Mensagem Assembleia distrital do PSD/PORTO

Senhoras e senhores Delegados por motivos de ordem pessoal, concretamente, por doença que me impossibilita a deslocação para esta Assembleia Distrital, não terei o privilégio de partilhar da vossa companhia e da discussão de ideias e projectos que na mesma naturalmente se gerará para o nosso partido e para a Região. Considerando que a Comissão Política Distrital está nesta assembleia, plenamente e bem representada por todos os seus elementos e eu particularmente pelo 1º Vice-Presidente, Deputado Sérgio Vieira faço votos de que seja altamente produtiva politicamente.
Enquanto Presidente da Comissão Política Distrital manifesto à Assembleia Distrital uma especial atenção e preocupação para a situação social do distrito, nomeadamente para as áreas da saúde e do emprego, atento à actual situação económica e a realidade social consequente.
Assim e sobre as matérias da Saúde, a CPD tem desenvolvido um conjunto de iniciativas com o intuito de avaliar o processo de reorganização das urgências na região, levadas a cabo pelo Ministério da Saúde, através da ARS – Norte, tendo para o efeito já reunido com a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, em 14 de Setembro. Reorganização essa que está a ser orientada unicamente por princípios economicistas, e que a nosso ver, trarão problemas de sustentabilidade e fiabilidade na garantia do serviço de Emergência Médica da Região, nomeadamente com a falta de especialistas em locais estratégicos e sensíveis de grande densidade populacional.
Ainda sobre este tema alerto para o facto do governo através dos seus representantes políticos na região conduzirem em secretismo este tema, bem como orientados nas suas decisões por critérios politico – partidários como ficou bem patente no episódio do fecha e não fecha a urgência de Vila do Conde. Se é de elementar justiça o seu não encerramento, as razões que levara ao vai e vem da decisão essas é que nos parecem de uma base politico – partidária sem precedentes.
Nesta matéria, preocupa-me em particular a área de Pediatria, tema acerca do qual brevemente a CPD assumirá uma tomada de posição pública, sendo certo que depois de terem enterrado o projecto do Centro materno-infantil no hospital de S. João preparam-se agora para determinar no âmbito das urgências pediátricas medidas altamente restritivas assentes exclusivamente em critérios de economicistas.
Ainda sobre a área da Saúde e no que concerne aos cuidados primários de saúde, estamos perante um sistema que funciona a duas velocidades com uma bipolaridade de resultados.
A actual medida de implementação das Unidades de Saúde Familiar, e no modelo que nos é apresentada, resume-se fundamentalmente a uma medida que sendo uma boa ideia sob o ponto de vista conceptual não resolve contudo a questão de fundo, relativa aos 300 mil utentes, na AMP, sem direito a médico de família. Sem prejuízo, e se esta medida for devidamente acompanhada pela implementação dos meios necessários, quer seja pelo preenchimento de quadros médicos e enfermeiros, quer seja pelo melhoramente das infra-estruturas, pode até vir a ser uma medida positiva, desde que para o efeito o Governo invista em mais profissionais de saúde.
Uma das grandes preocupações desta Comissão Política é sem sombra de dúvidas a questão do emprego e a fragilidade de uma parte substancial do tecido empresarial regional, nomeadamente as PME.
Apesar de toda a propaganda instalada, e pela tentativa sub-reptícia do governo, através do IEFP, em esconder os números dessa negra estatística, o facto é que o desemprego continua a aumentar e a ser um flagelo preocupante na nossa Região.
Estamos assim, como já se disse, perante um governo que através do IEFP tenta mascarar os números das estatísticas do desemprego, colocando muitos dos actuais desempregados na situação de formação profissional, “desorçamentando-os” das estatísticas oficiais de desemprego.
Estamos assim, perante um governo que não planeia nem diagnostica as necessidades profissionais do país mas que oferece aos actuais desempregados modelos de Formação Profissional, que em nada os servem para a sua efectiva inserção no competitivo mercado de trabalho em que terão de se vir a inserir.
A actual situação económica da região, tem igualmente merecido uma fortíssima preocupação por parte do PSD Porto, razão pela qual saúdo o grupo parlamentar do PSD por ter apresentado no parlamento, uma proposta de liquidação do IVA somente no momento de apresentação de recibo e efectivo pagamento pelo devedor da factura. Esta medida revelar-se-á a nosso ver como de essencial importância para a tesouraria das empresas e para o rebustecimento económico das mesmas. No entanto outras medidas devem preocupar o PSD no âmbito do Orçamento de Estado, concretamente a redução da carga fiscal das PME´s. Neste âmbito, a CPD está a reunir, com as Associações Empresariais, no sentido de auscultar de uma forma mais profunda os seus problemas e posteriormente formular uma posição concreta e realística acerca deste sensível tema.
Uma outra matéria que nos deve preocupar, é a forma hostil como este Governo se apresenta perante a região, quando apresenta um plano de desenvolvimento do METRO do Porto, que claramente tem intuito político partidário e deixa para um futuro incerto e indeterminado a concretização de relevantes projectos para a Região.
Estarmos sem duvida perante o governo mais centralista e, com a visão mais partidária na sua acção institucional de todos os tempos, factos que devem constituir por si só motivos suficientemente fortes para mobilizar o PSD, no combate a este garrote político-partidário com que o governo e o PS, pretendem asfixiar a região e todos os seus opositores. Enfrentaremos com determinação e tenacidade os combates que diariamente temos de travar e com especial atenção estratégica os actos eleitorais que se avizinham.
A propósito do Metro do Porto e como presidente da CPD e pelo profundo conhecimento do dossier, como administrador não executivo da sociedade Metro do Porto, gostaria de dar nota do Seguinte:
Ao longo de todo o período em que exerci e exerço a função de administrador não executivo da empresa Metro do Porto, S.A., em representação do accionista Junta Metropolitana do Porto, nunca em qualquer circunstância nesse ou noutro âmbito, foi aflorado, apresentado ou debatido o plano de “Desenvolvimento do Sistema do Metro Ligeiro do Porto”, agora tornado público. Na verdade só no passado dia 1 de Outubro, pelas 11h, em reunião do Conselho de Administração da Metro, com a presença do Senhor Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações [MOPTC], Eng.º Mário Lino e da Senhora Secretária de Estado dos Transportes, Eng.ª Ana Paula Vitorino, pela primeira vez os administradores não executivos tomaram conhecimento do referido documento, que na mesma data tive oportunidade de lhe dar imediato conhecimento, bem como a outros autarcas.
Saliento que, face ao conteúdo daquele documento estratégico, apesar de apresentado de supetão, de imediato deixei perante os presentes lavrado o meu mais veemente protesto pelos cronogramas em apreço, e pela falta de elementos técnicos que validem a racionalidade económica e social das opções apresentadas.
No meu ver, só através de um estudo comparativo entre as diferentes linhas que confronte custos versus procura, será possível avaliar tecnicamente o que nos foi apresentado. Sendo certo que linhas como a da Trofa, Maia, Boavista e Gaia foram relegadas para as calendas gregas nitidamente por perseguição politica a estes municípios social-democratas.
Sem prejuízo dessa análise futura, desde logo pareceram-me insustentáveis os parâmetros globais propostos para o desenvolvimento da rede do Metro do Porto, pois prever um crescimento nos próximos 10 anos de apenas 43 km parece-me escasso, quando comparado com outros vultosos investimentos anunciados para o País, com cronogramas comparativamente mais ambiciosos.
Face ás críticas tecidas pelo Ministro das obras públicas no passado, quanto ao Metro do Porto e ao seu processo de desenvolvimento, naturalmente não se esperaria que o Governo usasse, agora, como modelo essa mesma fase que então criticou, mas que apesar de tudo nos últimos 10 anos executou 58 km de rede face aos 43 km previstos e propostos construir nesta 2.ª fase de autoria socialista.
É pois com profundo desagrado que verifiquei ter sido este processo sido desenvolvido no maior secretismo e à revelia dos legítimos representantes das autarquias.
Confesso que temo o pior, pelo projecto face à filosofia centralista e de controlo por parte da tutela relativamente ao funcionamento desta empresa, mas particularmente face à exígua ambição que encerram as propostas de futuro apresentadas.
Contudo e a propósito desta delicada, determinante e estratégica questão para a região, o Sr. Presidente da Junta Metropolitana do Porto, o Dr. Rui Rio no decorrer desta Assembleia Distrital usará da palavra, para de viva voz, poder consubstanciar e factualizar muitas das considerações que acabei de tecer.
O Metro do Porto não é, nem nunca será um projecto político-partidário, deverá ser um projecto da região, razão pela qual, a interferência do Partido Socialista resulta num desvirtuamento deste projecto, significando igualmente um inquinar do espírito que deve presidir às decisões tomadas a propósito do futuro do metro na região.
Por fim gostaria de saudar o Sr, Presidente da Câmara da Maia, pelo seu Excelente trabalho que vem a desempenhar como autarca, sempre com a premissa de defender os interesses da sua comunidade, bem como saudar o PSD da Maia, por ter possibilitado e acolhido a realização desta Assembleia Distrital
07 de Outubro de 2008
Marco António Costa




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